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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Humildade Pessoal


por Tomás de Kempis

Todo homem tem desejo natural de saber; mas que aproveitará a ciência, sem o temor de Deus? 

Melhor é, por certo, o humilde camponês que serve a Deus, do que o filósofo soberbo que observa o curso dos astros, mas se descuida de si mesmo. 

Aquele que se conhece bem se despreza e não se compraz em humanos louvores.

Se eu soubesse tudo quanto há no mundo, porém me faltasse a caridade, de que me serviria isso perante Deus, que me há de julgar segundo minhas obras?

1. Renuncia ao desordenado desejo de saber, porque nele há muita distração e ilusão. 

Os letrados gostam de ser vistos e tidos por sábios. Muitas coisas há cujo conhecimento pouco ou nada aproveita à alma. E mui insensato é quem de outras coisas se ocupa e não das que tocam à sua salvação. 
As muitas palavras não satisfazem à alma, mas uma palavra boa refrigera o espírito e uma consciência pura inspira grande confiança em Deus.
2. Quanto mais e melhor souberes, tanto mais rigorosamente serás julgado, se com isso não viveres mais santamente. 

Não te desvaneças, pois, com qualquer arte ou conhecimento que recebeste. Se te parece que sabes e entendes bem muitas coisas, lembra-te que é muito mais o que ignoras.

Não te presumas de alta sabedoria (Rom 11,20); antes, confessa a tua ignorância. Como tu queres a alguém te preferir, quando se acham muitos mais doutos do que tu e mais versados na lei?
Se queres saber e aprender coisa útil, deseja ser desconhecido e tido por nada.
3. Não há melhor e mais útil estudo que se conhecer perfeitamente e desprezar-se a si mesmo. 

Ter-se por nada e pensar sempre bem e favoravelmente dos outros, prova é de grande sabedoria e perfeição.

Ainda quando vejas alguém pecar publicamente ou cometer faltas graves, nem por isso te deves julgar melhor, pois não sabes quanto tempo poderás perseverar no bem.

Nós todos somos fracos, mas a ninguém deves considerar mais fraco que a ti mesmo.

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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A imitação de Cristo


por Tomás de Kempis
da imitação de Cristo e desprezo de todas as vaidades do mundo

Quem me segue não anda nas trevas, diz o Senhor (Jo 8,12).

São estas as palavras de Cristo, pelas quais somos advertidos que imitemos sua vida e seus costumes, se verdadeiramente queremos ser iluminados e livres de toda cegueira de coração. 

Seja, pois, o nosso principal empenho meditar sobre a vida de Jesus Cristo.

A doutrina de Cristo é mais excelente que a de todos os santos, e quem tiver seu espírito encontrará nela um maná escondido.

Sucede, porém, que muitos, embora ouçam frequentemente o Evangelho, sentem nele pouco enlevo: é que não possuem o espírito de Cristo. 

Quem quiser compreender e saborear plenamente as palavras de Cristo é-lhe preciso que procure conformar à dele toda a sua vida.

Que te aproveita discutires sabiamente sobre a SS. Trindade, se não és humilde, desagradando, assim, a essa mesma Trindade? 

Na verdade, não são palavras elevadas que fazem o homem justo; mas é a vida virtuosa que o torna agradável a Deus. 

Prefiro sentir a contrição dentro de minha alma, a saber defini-la. 

Se soubesses de cor toda a Bíblia e as sentenças de todos os filósofos, de que te serviria tudo isso sem a caridade e a graça de Deus? 

Vaidade das vaidades, e tudo é vaidade (Ecle 1,2), senão amar a Deus e só a ele servir. A suprema sabedoria é esta: pelo desprezo do mundo tender ao reino dos céus.

Vaidade é, pois, buscar riquezas perecedoras e confiar nelas. 

Vaidade é também ambicionar honras e desejar posição elevada. 

Vaidade, seguir os apetites da carne e desejar aquilo pelo que, depois, serás gravemente castigado. 

Vaidade, desejar longa vida e, entretanto, descuidar-se de que seja boa. 

Vaidade, só atender à vida presente sem providenciar para a futura.

Vaidade, amar o que passa tão rapidamente, e não buscar, pressuroso, a felicidade que sempre dura.

Lembra-te a miúdo do provérbio: Os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos de ouvir (Ecle 1,8). 

Portanto, procura desapegar teu coração do amor às coisas visíveis e afeiçoá-lo às invisíveis:

pois aqueles que satisfazem seus apetites sensuais mancham a consciência e perdem a graça de Deus

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